Era um de sessenta e poucos anos, vendedor de peças para bicicletas. Entrou nesse ramo muito cedo, aos 16, assim que o seu pai sumiu de casa. A mãe, cantora de bolero, bebia todo o salário no mesmo bar fajuto em que cantava as desilusões da vida.
Nunca recebeu muita atenção dos pais, sempre foi muito só. A apatia lhe consumia.
Talvez tivesse algum sentimento, fosse ele qualquer que fosse. Ódio dos pais, amor pela vizinha da época de adolescente, inveja dos garotos do time de futebol do colégio. Mas sobre sentimentos ele nunca soube dizer, sempre foi pouco expressivo.
Parecia inexistir no mundo. Sua presença só era notada por seus clientes, que não eram muitos, o suficiente para comprar duas camisas por mês e alimentar-se.
Sua mãe se fora a tempos e o pai, a esta altura do campeonato também. Parentes não tinha, era só no mundo.
Inexpressivamente, entrou em um ônibus com sua pasta de vendas surrada e se foi, sem dizer palavra.
Vida que segue, cotidiano de muitos com pouco.Parabéns.
ResponderExcluirObrigada. :)
ExcluirPuts!!! Bom demais, eu adorei!!! pricipalmente o final!
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