6 de nov. de 2012

Engavetados


Já fiz tanto poema 
Que guardei 
Pra ninguém ver

Mas na verdade
Queria que todo mundo visse.

Na verdade
Queria gritar eles
Declamar eles
Pixar em todos os muros

Mas eles não são bons
O bastante para seus olhos

São bregas,
Bregas e medíocres
Mas sinceros.

Tenho medo da sinceridade
Tenho medo de mim.

5 de nov. de 2012

Rosa Menina


As rosas 
Nascem, crescem, 
Espalham seu pólen 
Geram seus descendentes
E quando é chegado o tempo
Perecem.

Uma rosa nasceu
Uma rosa menina, 
Amarelinha, doce e delicada
Que a todos encantava.

A rosa menina amarelinha
Cresceu, 
Criou seus espinhos com o tempo
Um ato de proteção 
Para si e para todo aquele pólen que ela carregava.

A rosa menina amarelinha 
Cresceu, 
Espalhou seu pólen
E gerou roseiras tão fortes quanto ela
Que vão dar continuidade ao que um dia ela começou.

As rosas 
Nascem, crescem, 
Espalham seu pólen 
Geram seus descendentes
E quando é chegado o tempo
Perecem.

A nossa rosa menina amarelinha pereceu
Mas o seu aroma único 
Continua vivo, eterno
Dentro de cada um de nós.

17 de out. de 2012

Carcará

  Bem apanhado, era uma frase que lhe resumia bem. Todo pomposo, com sua farda vistosa e seu cinto de utilidades mais bem equipado que o do Batman, ele era um coroa muito bem apanhado. 
Sorriso bonito, sujeito boa praça, era uma bela figura, daquelas que requer atenção. Tudo isso para esconder de todo mundo o horror que ali havia por dentro. Um assassino nato, muito bem treinado na arte de matar. Caçar e matar, como um carcará.

16 de out. de 2012

A Gente

A gente encontra
Gente que incentiva a gente,
Que orienta a gente.

Como uma bússola,
Que aponta um norte,
Um rumo, um prumo.

A gente encontra gente
Que a gente sente
Como se fosse parte da gente
Meio assim,
Que da família da gente.

A gente sente,
Senta e conversa
Como se só existisse a gente.

É esse tipo de gente
Que a gente quer sempre bem
Junto da gente.

20 de set. de 2012

Inexpressivo.

  Era um de sessenta e poucos anos, vendedor de peças para bicicletas. Entrou nesse ramo muito cedo, aos 16, assim que o seu pai sumiu de casa. A mãe, cantora de bolero, bebia todo o salário no mesmo bar fajuto em que cantava as desilusões da vida.
  Nunca recebeu muita atenção dos pais, sempre foi muito só. A apatia lhe consumia.
Talvez tivesse algum sentimento, fosse ele qualquer que fosse. Ódio dos pais, amor pela vizinha da época de adolescente, inveja dos garotos do time de futebol do colégio. Mas sobre sentimentos ele nunca soube dizer, sempre foi pouco expressivo.
  Parecia inexistir no mundo. Sua presença só era notada por seus clientes, que não eram muitos, o suficiente para comprar duas camisas por mês e alimentar-se. 
  Sua mãe se fora a tempos e o pai, a esta altura do campeonato também. Parentes não tinha, era só no mundo.
  Inexpressivamente, entrou em um ônibus com sua pasta de vendas surrada e se foi, sem dizer palavra.

11 de jul. de 2012

"Tudo com você parece ser 
 Mais maduro, 
 Mais sensato.
 Você tem a Solidez insana
 Que eu idealizo..."

29 de mai. de 2012

A Cada dia Que Passa

A cada dia que passa 
Me sinto mais ilhada
Mais louca
No meio de esquizofrênicos.

A cada dia que passa
Me sinto mais humana
Me sinto pior.

A cada dia que passa
Me sinto mais cruel
Menos pura
Mais humana.

A cada dia que passa
Faço parte um pouco mais
Do mundo.

14 de mai. de 2012

Efêmera Paixão

Velocidade, intensidade e
Confusão.

Tudo num turbilhão
D'uma efêmera paixão.